
Após mais de duas décadas de impasses e problemas técnicos, a Noruega decidiu levar a fabricante NHIndustries (NHI) aos tribunais, exigindo uma indenização seis vezes superior ao valor original do contrato do helicóptero NH90.
De acordo com o portal norueguês Teknisk Ukeblad, o governo de Oslo busca uma compensação de 33 bilhões de coroas norueguesas (€ 2,8 bilhões) após o fracasso das negociações de mediação. O processo judicial será analisado pelo Tribunal Distrital de Oslo a partir de 10 de novembro de 2025.
Um programa problemático desde o início
Em 2001, a Noruega encomendou 14 helicópteros NH90 por meio da Agência de Gestão de Helicópteros da OTAN (NAHEMA), a um custo de cerca de 5 bilhões de coroas norueguesas (aproximadamente € 500 milhões à época). Fabricados pela NHIndustries — um consórcio formado pela Airbus Helicopters, Leonardo e Fokker — os helicópteros seriam empregados em missões de guerra antissubmarino, busca e salvamento e operações da guarda costeira.
Contudo, o programa logo se tornou um dos mais problemáticos da história recente da defesa europeia.
Um relatório de 2018 do Chefe da Defesa da Noruega já advertia que a frota NH90 só conseguiria atingir as metas contratuais se houvesse “boa disponibilidade de peças sobressalentes, estruturas adequadas de manutenção e uma organização de suporte suficientemente ampla”.

“Mais de 20 anos e ainda sem helicópteros operacionais”
“Fizemos várias tentativas para resolver os problemas relacionados ao NH90 em cooperação com a NHI, mas mais de 20 anos após a assinatura do contrato, ainda não temos helicópteros capazes de realizar as missões para as quais foram adquiridos”, declarou Gro Jære, diretora da Forsvarsmateriell (FMA), a agência de compras de defesa da Noruega, em junho de 2022.
Retirada e substituição
No mesmo ano, a Agência Norueguesa de Material de Defesa tomou uma decisão inédita: imobilizar e devolver toda a frota NH90, exigindo o reembolso integral.
“Não importa quantas horas nossos técnicos trabalhem ou quantas peças encomendemos — nunca será possível tornar os NH90 compatíveis com os requisitos de nossas forças armadas”, afirmou o então Ministro da Defesa, Bjørn Arild Gram.
A NHIndustries reagiu com “extrema decepção”, alegando que não teve oportunidade de apresentar sua última proposta para melhorar a disponibilidade dos helicópteros no país.
Logo após o rompimento, Oslo firmou um novo contrato com a americana Sikorsky — subsidiária da Lockheed Martin — para o fornecimento dos helicópteros HH-60W, que substituirão os NH90.

De reembolso a indenização bilionária
Inicialmente, a Noruega buscava apenas o reembolso de € 500 milhões referentes à compra original. Agora, a reivindicação foi elevada para € 2,8 bilhões, englobando: – O reembolso de todos os valores pagos ao NHI; – O custo do novo pedido de helicópteros HH-60W (€ 1,09 bilhão); – As despesas de manutenção e operação dos NH90 durante o período em serviço.
Problema global com o NH90
A Noruega não está sozinha. Outros países também expressaram frustração com o desempenho do NH90. A Austrália decidiu substituir seus 41 NH90 MRH Taipan por 40 UH-60M Black Hawks, citando altos custos de manutenção e baixa disponibilidade. A Marinha Real Australiana também anunciou a substituição de seus seis MRH90 navais por 12 MH-60R Seahawks.
A Suécia seguiu o mesmo caminho, confirmando em 2022 que aposentará suas versões HKP-14 do NH90 até 2035, optando por novos UH-60 Black Hawks para transporte e um futuro sucessor para missões navais.
Fontes e imagens: Teknisk Ukeblad | Norwegian Armed Forces | Forsvaret | AeroTime. Este conteúdo foi criado com a ajuda da IA e revisado pela equipe editorial.
